Minha solidão, eu não a significo como estar sem companhia. A mim ela se resume a não ter quem me compreenda, a ter com quem falar, mas não ter quem me ouça. A estar aflita e não ter quem me abrace, a querer fugir mas não ter para onde ir.
Minha solidão está na falta de colo, na falta de aceitação real de quem eu sou por mim e pelos outros também. Está na falta de apoio não importando o caminho que eu escolha, na falta de alguém que me faça acreditar que tudo dará certo em vez de só dizer isso num papo furado dividindo uma cerveja.
Minha solidão existe quando desmerecem os meus problemas não reconhecendo neles a gravidade que eu reconheço. Quando não entendem que só quem sabe como, quando e porque dói as dores sou eu.
Eu estou só porque ninguém é capaz de entender a complexidade do que tenho sentido e vivido e, por esse motivo, em vez de palavras de força e incentivo, eu recebo críticas de quem nem sabe nem compreende o que realmente se passa comigo.
Eu estou só porque, para ser querida e aceita, eu preciso atingir metas e superar expectativas que aqueles que me cercam estipularam para mim, como se eu tivesse que passar num teste de merecimento.
Eu tenho que seguir um molde, eu preciso reagir de acordo com o julgamento que os outros fazem da minha vida, das minha experiências.
Eu não tenho licença para ser quem sou. De acordo com os seus pontos de vistas, todos encontram soluções para meus problemas, todos sabem o que se passa comigo. É tudo muito fácil e muito simples. E o meu ponto de vista? O ponto de vista de quem está na realidade da vida, de quem vive e sente a própria vida?
Não, ninguém sabe de mim nem das minhas dores. Sou eu que vivo tudo o que vivo e é por isso que ninguém pode me compreender e é por isso que ninguém pode me criticar e é por isso que ninguém sabe resolver meus problemas.
Eu sei da minha solidão. Eu sou só, sozinha, convivendo comigo mesma.
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