domingo, 24 de julho de 2011

O meu mundo

Cada um tem a sua vida, o seu mundo. Você tem o seu mundo e eu tenho o meu.
Um mundo é o conjunto de características adquiridas ao longo das experiências vividas aliada a personalidade de alguém.
E por cada um ter o seu mundo, cada mundo é um mundo. E isso independe de sobrenome, de que época ou de consanguinidade. Você tem o seu mundo, e eu, o meu.
Ninguém é dono do mundo de ninguém. E só se pode fazer parte do mundo de alguém, se esse lhe permitir compartilhá-lo, porque o mundo alheio é terra que só se entra se as fronteiras estiverem abertas, e ainda mediante convite. Desse modo, ninguém é obrigado a fazer parte do mundo de ninguém, mesmo levando-se em conta o grau de parentesco ou a convivência.
Se você se incomoda em dividir o seu mundo comigo, é só levantar as suas cercas ou o seu muro.
O meu mundo é o meu mundo. Ele tem as minhas características, tem os meus gostos, tem mais pecados que virtudes, é quase sem perdão.
O meu mundo sou eu: cheio de imperfeições, agressivo, desconfiado, seletivo, e ás vezes, divertido (para quem o entende ou com ele se identifica). Ele é frágil, cheio de mágoa, deprimido, deprimente, pulsante de raiva, desequilibrado, no limite, nos extremos. Minhas palavras soam como um soco no estômago, elas ferem como flechas de veneno e meu humor é irritante.
Por eu ser diferente, eu incomodo, causo estranheza, logo minha presença é, muitas vezes, insuportável. Mas assim sou eu, e assim é o meu mundo.
Você pode não gostar dele, pode não concordar com ele, mas, por favor, não o critique, não o julgue errado, não o condene, não o sentencie de acordo com as leis e normas do seu mundo. Até porque o seu mundo é um conjunto de características adquiridas ao longo das suas experiências vividas aliadas a sua personalidade. Tal qual o meu o é.
Eu bem sei dos problemas do meu mundo, sei que devo melhorá-lo, mas saiba você também que isso é um trabalho solitário, penoso e severamente particular. Cabe só a mim o fazer, porque o meu mundo é só meu.
A solidão que vivo comigo mesma é quem me diz o quão árduo e doloroso é o exercício de me olhar no espelho todos os dias, de enfrentar o que me reflete, de lutar contra meus próprios monstros, de disciplinar meus iminentes erros, de ser meu próprio carrasco, meu próprio general.
Eu sei o preço que pago por ser quem sou, não pago barato, nem parcelado, nem livre de juros.
Tudo o que vivi me gerou consequências, e minha personalidade (viciosa ou não) é a responsável pelo modo como processei essas consequências. Se só valorizo o pior ao invés do melhor, se minha boca jorra veneno ao invés de antídoto, se firo ao invés de curar, se meu olhar é amargo ao invés de doce, se sou antipática ao invés de ser divertida é porque a forma como vivi minha vida me tornou assim. E meu mundo é assim.
Ninguém é obrigado a gostar do meu mundo, ele é transparente, nele não há cercas nem muros que impeçam alguém de vê-lo como é, de se enganar com a suspeita de como ele seja.
Ninguém é obrigado a aceitar o meu convite para entrar, e se aceitar, não é obrigado a permanecer, por isso, minhas fronteiras estão sempre abertas para sair quando desejar. Porque meu mundo é assim, cada um tem o seu mundo. Você tem o seu, e eu, o meu.
Não me atrevo a dizer que faço do meu mundo o que quero, faço dele o que posso, do modo como me parece apropriado, de acordo com as oportunidades que me aparecem durante a caminhada de torná-lo melhor. Meu mundo tem a minha forma, minha identidade. Ele se apresenta do modo como vivi toda a minha vida, por isso ele é pessoal, intransferível e individual.
Deixe eu viver meu mundo, deixe eu fincar nele a minha bandeira tendo ela as cores que tiver. Deixe eu criar as minhas leis e executá-las conforme meu desenvolvimento, e se eu quiser revogar alguma norma, farei quando a maturidade chegar e julgar conveniente.
Deixe eu escrever meu hino, criar meu heróis. Deixe meu mundo ser o que é ou da forma que pode ser. Porque eu sou o meu mundo, sou eu que me degladio no espelho comigo mesma. Sou eu que conto as vitórias e derrotas, sou eu que sofro as lágrimas da queda, sou eu que comemoro as subidas ao pódio. Na guerra do cotidiano, eu sou o meu exército de uma só mulher.
Permita-me, sem me julgar, que eu trilhe o meu mundo na rapidez ou lentidão dos meus passos. Permita que eu seja livre para escolher, para plantar e colher, para perder e encontrar, para vencer e ganhar, para pagar o que devo pagar. Deixe eu escolher entre o peso das pedras e o cheiro das flores.
Aceite o fato de que cada um tem o seu mundo. Você tem o seu, e eu, o meu. E seja lá como for, querendo você ou não, o meu mundo é apenas o meu mundo.

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