terça-feira, 16 de novembro de 2010

Algo que não sei o que é

Sempre foi assim,
e foi aos 7 que eu descobri que era assim.
De lá até hoje continua sendo,
e por dentro tudo corroendo.
Sei que é, mas o que é eu não sei.
Sequer faço idéia do que isso venha a ser, mas são 33 anos já vividos,
alguns deles muito sofridos,
e a maioria deles não teve sentido.
O nome disso nenhum dicionário me deu,
a quem perguntei ninguém respondeu,
dentro de mim isso sempre doeu,
nenhum médico sabe o diagnóstico. Então não há cura?
Procurei em todas as coisas,
estudei quase todas as coisas,
experimentei o que até onde a coragem deixou,
tentei o que pude.
Não sei de que é excesso, nem de que é escassez.
Não passa, e a cada dia fica pior. Me extravio de mim mesma.
Estou aqui agora, mas o pensamento não. Ele está sempre perdido.
Digo perdido porque aonde quer que ele esteja, ele não se encontra. Ele nada encontra.
Ao que me parece, é um tudo que ao mesmo tempo não é nada,
uma busca pelo o não sei o quê, indo não sei para onde.
Nada preenche,
nada é suficiente,
nunca é plenamente,
mas tudo consome,
e esse tudo que consome não tem nome.
Levito num eterno buraco negro, não chego a lugar algum,
nada vejo a frente, nada ouço, nem mesmo o eco da minha voz.
Não! Nada ocupa o espaço,
nada preenche o vazio,
e a alma sentindo frio.
Sensação latente de algo pendente,
coração falando de algo faltando,
uma metade está perdida,
ou eu totalmente perdida?
Não! O meu peito é um imenso abismo,
nele me atirei, ainda estou em queda,
sentindo aquele frio na barriga,
esperando chegar ao chão.

Nenhum comentário: