No auge dos meus 32 anos mal vividos, eu tenho a única certeza de que a pior coisa que me aconteceu na vida foi ter crescido.
Eu detestei ficar adulta. Mesmo quando criança, o fato de encarar esse inevitável destino me causava tristeza, eu já sabia que era uma ida sem volta.
Lembro bem que fiquei desapontadíssima quando menstruei pela primeira vez, tanto que tentei disfaçar ao máximo como se não quizesse ainda acreditar que já era hora. Minha mãe percebeu, e quando olhei para ela eu perguntei: "Não é não, né mãe?" E ela balançou a cabeça e disse: "Ah! É sim." Então percebi que ali fora dado o pontapé inicial, era dali para pior.
Os anos foram passando e eu crescendo forçadamente, e hoje vivo essa vida maçante de adulto. Sinto enorme falta da minha infância, não que ela tivesse sido maravilhosa, mas era uma vida mais livre, mais lúdica. Tinha muito mais com que sonhar, muito mais no que acreditar.
Todas as vezes que escuto "I don't wanna grow up" dos Ramones me vem um nó na garganta, porque considero essa música como um protesto contra a adultícia. Ser "gente grande" é um desaforo!
Cresci, mas não sei se amadureci o bastante. Acho que tenho uma cabeça boa para quem teria 21 anos, e não para quem tem 32. Passo bem longe das características de uma legítima balzaquiana, e eu até gosto de não ter amadurecido tanto, parece que ainda sobra resquício de uma criança em mim.
É até bom. Quem amadurece demais morre cedo. Fica podre.
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