Um vazio de palavras, nada a dizer. Ninguém a me falar, ninguém a me ouvir.
Fica um espaço grande em um período de tempo curto, e vê-se o tédio ali.
Ele vai embora quando chega a tristeza por mim sentida ao ouvir a musiquinha do Fantástico, música maldita.
A sensação é estranha, algo roubado. Subtração.
Não, tudo não recomeça amanhã. Tudo está do mesmo jeito, e quase sempre. Não há início, há a continuidade do tudo que já vinha sendo.
O tempo vem se arrastando como cobra, é lento e venenoso.
Sinto a inquietação, depois um breve desespero. E estalo os dedos, expiro forte, e impaciente, passo a mão na nuca.
Hoje, meu tempo não anda comigo no mesmo passo que eu. As minhas palavras, não as tenho de volta, estão gagas, presas, não faladas, nem sentidas nem ouvidas. Sem começo, sem recomeço. Não há ganho nem adição.
É um dia chato, muito chato. Sem perspectivas e novidades, um dia sem saída. Mas com sorte, tem hora certa para acabar. É só esperar o despertador tocar anunciando o dia de amanhã.
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