terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Amiga Solidão

A solidão chama meu nome.
Eu abro os braços para ela como quem reencontra uma velha e querida amiga.
Um abraço.
Nele, ela me traz um inesperado conforto, e estranhamente sinto uma paz em meu peito.
Esperava dela todas as dores,
e toda a falta de amores,
e ela, surpreendentemente, sossega minha alma,
traz uma calmaria que jamais esperava encontrar.
A solidão me alforria de tudo que não quero ver, de tudo que não quero ouvir.
Ela me diz que o meu mundo pode ser diferente, pode ser mais bonito.
E então, ela me dá uma tela
e aquarelas,
e pede para que eu o pinte.
Aconselhada pela solidão,
eu pendurei uma tabuleta na porta da minha casa,
nela escrevi: "Proibido entrada de pessoas estranhas ao meu amor."
Vivo hoje um isolamento desejado,
vivo meu eu intensamente só meu.
A solidão me despiu dos trapos que eu carregava na alma,
ela mostrou-me ao espelho, e eu sorri com o que vi.
A liberdade é minha veste nova
e me fez mudar,
e me fez me escutar,
e me fez me ver,
e o azul dos meus olhos agora está ainda mais azul.
Hoje sou livre, liberta, libertária e até libertina ás vezes...
Estou livre o suficiente de mim, para mim, por mim.
A liberdade de que preciso só a solidão pode me dar.
Caminhando livre e só, vou encontrar a felicidade,
e ela vai me abrir os braços como quem reencontra uma velha e querida amiga.

Um comentário:

João Carpalhau disse...

A liberdade é uma altitude que muitos tentam alcançar, mas poucos conseguem voar tão alto.
Belissimo poema.