Fui passar a virada do ano novo em Arraial do Cabo com a família e alguns amigos. Chegando lá, me encantei com a beleza natural do lugar, tudo é lindo. As praias, as pracinhas, as dunas, o céu... O mais encantador é o jeitinho que a cidade tem de interior, roça, sabe?
Chegando ao sobradinho que alugamos, notei que as janelas davam direto para a rua, e que me permitia vislumbrar tanto as paisagens quanto o movimento da rua e da vizinhança.
Ventava forte e fresco, o ar puro. Momento, para mim, divino. Fiquei ali me deliciando com tudo e, de repente, uma menininha apareceu debaixo da janela e me olhou eufórica da mesma forma que se olha para algo novo, diferente. Daí, ela começa o diálogo:
- Oi, tia!
Disse ela acenando sorridente para mim.
- Oi, tudo bem?
- Tudo.
Chegou logo depois uma amiguinha dela e ela recomeçou.
- Esta é a minha tia.
- Não é nada.
- É sim.
- Não é.
- Quer ver que é?
Ela olhou para mim com aquele sorriso novamente e perguntou:
- Tia, a senhora não é a minha tia?
- Sou sim.
Ela virou-se para a amiguinha com uma cara de deboche e falou:
- Viu? Eu disse que ela é a minha tia.
Depois disso ela me deu tchauzinho e foi contar a "novidade" para o restante da vizinhança.
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