segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Reconstrução!

Todos os tipos de relacionamentos, de regra, são difíceis. E a maioria deles traz consigo um pouco de mágoas, dores e arrependimentos, e eu vivi um desses.
Num desses momentos de reflexão sobre a vida, comecei a lembrar de tudo, pensar melhor sobre tudo o que se passou e sobre o que ainda ficou. Comparei, então, a minha vida e a dele a uma casa. A "minha casa" e a "casa dele", nosso relacionamento.
"Minha casa" era simples, confortável, forte e bem estruturada, mas a solidão habitava nela tirando a paz. Um dia conheci uma outra "casa". Era fraca, sem estrutura, pedaços caindo, paredes arrebentadas, escura e a solidão também estava lá.
Decidi reerguê-la, e numa atitude errônea, abandonei a "minha casa" em função da outra, já que essa precisava muito mais de mim. À duras penas fui reconstruindo tudo: tapando os buracos, recolocando pedaços, fortalecendo as bases, colorindo cômodos... E a solidão? Nem sabíamos mais dela.
Foi assim por toda a trajetória de quase 6 anos. Até que um dia, a "casa dele" se tornou um casarão, cresceu muito, tomou uma forma mais vital e não precisava mais de mim para ficar de pé, seus reparos tinham sido feitos.
O dono da "casa" não sentia mais prazer com a minha presença, me fazia sentir como se já não fizesse mais parte dela, não havia espaço para mim naquele lugar apesar do seu tamanho. Ele pediu que eu arrumasse as minhas coisas e fosse embora.
Com as malas na mão, de pé na porta de saída, e diante de um diferente rumo, desesperei-me por ter notado que tinha me esquecido o caminho de volta para a "minha casa". Chorei muito porque não sabia por onde ir, depois que as lágrimas acabaram consegui voltar. Doeu muito quando encontrei "minha casa". Ela não estava como eu a tinha deixado, estava tão caótica quanto aquela outra quando a vi pela primeira vez. Também estava fraca, sem estrutura, com pedaços caindo, paredes arrebentadas, escura, mas não era a solidão que habitava lá. Ao entrar vi a mágoa, a dor, as feridas, os arrependimentos.
A desilusão foi tanta que pensei que não havia mais jeito de reconstruí-la, tive medo só de pensar na possibilidade de talvez ter de destruir o que sobrou, mas o tempo clareia a escuridão da vida trazendo o sol no dia seguinte. Decidi reconstruir o que estava faltando para que "minha casa" voltasse a ser o que era antes, ou, talvez até melhor. E isso estou fazendo até agora. Aos poucos vou reerguendo tudo.
A dor amadurece e por isso aprendi que relacionar-se é compartilhar vidas, e não trocar uma pela outra, é juntas as duas "casas" e fazer uma mansão, mandar a solidão embora e convidar, todos os dias, o amor para morar nela. O amor nunca vem sozinho, sempre traz consigo mais gente com ele: vem o carinho, o respeito, a compreensão, o querer-bem.
E é assim que se constrói um relacionamento feliz.

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi Juliana!
Legal! Arrumando a casa!
Sua disposição em enxergar a situação e encará-la, por mais horrenda que ela seja, é que vai fazer você erguer sua casa novamente.
Sem essa de empurra a sujeira para debaixo do tapete!
Boa sorte!
Abraços