Demorei a postar aqui porque estava nos meus dias de gagueira, então esperei passar, pois não conseguia escrever. Começo contando que conheci uma pessoa visitando o blog dele, me identifiquei com os sentimentos e frustrações que ele carrega consigo, desabafei todas as minhas angústias para ele e ele me respondeu carinhosamente com palavras muito consoladoras e contagiantes, ele me incentivou a buscar ajuda e é o que vou fazer. Essas palavras fizeram efeito por um curto espaço de tempo, mas não desisti ainda de ME AJUDAR. Sinto-me assim:
Não sinto vontade de acordar, estudar, nem mesmo de abrir os olhos, às vezes passear torna-se uma tortura. Moro num quintal de família, nos fundos, e por isso fico mais longe da rua, dos barulhos dos carros, da vida dos vizinhos. Minha casa tem poucas janelas e na maioria das vezes encontram-se fechadas e cobertas por cortinas vermelhas, adoro ficar em casa com tudo trancado, luzes apagadas, me parece muito confortável. Esse domingo, minha prima de 10 anos me fez uma observação que até então eu não tinha notado. Ela disse:
- Nossa! Sua casa não tem barulho, nada se escuta, é escura, pouco se enxerga aqui dentro, tudo sempre fechado, parece esconderijo.
Percebi então que me escondo de tudo, minha casa é confortável porque me mantém afastada das coisas que não quero enxergar, que não quero aceitar, que não quero viver, ou sobreviver. Isso é uma doença. Admito. Não é normal.
Minha irmã confessou pra mim que sente o mesmo, não é preguiça de levantar da cama, é não querer sair da cama. Entende?
Desde então, sinto um enorme vazio que me incomoda, sabe que às vezes até dói?
Reflito muito dentro do ônibus, adoro andar de ônibus por causa disso, meu pensamento vai longe, não preciso me concentrar em nada, só pensar, e hoje, ao voltar pra casa vindo do cursinho, escutava meu MP3 player ( que é meu companheiro inseparável porque só me permite ouvir aquilo que quero, que pré-estabeleci ) e ouvi uma música do Paulinho Moska que dizia o seguinte: "O vazio é um meio de transporte pra quem tem coração cheio, cheio de vazios que transbordam seus sentidos pelo meio."
De pronto me identifiquei. Aí, comecei a pensar sobre o que fazer com esse vazio, ou como vou enchê-lo, enchê-lo de quê?
Um comentário:
as crianças e seus comentários desconcertantes, já viveram tudo e sabem que a vida é bela...sei lá..rsrs...temos que escutá-las um pouco mais, sobretudo as que existem dentro de nós. isso aí.
caeiro
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